Ensino

Historicamente, o IEB definiu a sua área de ação na FLUC em torno da literatura e cultura brasileiras. Por essa razão, a sua biblioteca é sobretudo rica nessa área, que coincide também com as unidades curriculares exploradas na docência dos Estudos Brasileiros, tal como eles vigoram hoje na Secção de Português do Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas.

Neste momento, as unidades curriculares de Literatura Brasileira que integram a oferta da secção de Português do DLLC são as seguintes.


1º ciclo, Licenciatura em Português:

PROBLEMAS CRÍTICOS DE LITERATURA BRASILEIRA (1º semestre)
Docente: Osvaldo Manuel Silvestre

Programa (2016-2017):

O programa versa o “português do Brasil”, ou seja, a forma como na literatura brasileira o debate sobre a relação entre “língua materna” e “língua literária” tem, desde o Romantismo, uma força constituinte sobre a própria ideia de literatura brasileira. A discussão teórica alimentará o percurso que se fará por uma série de textos literários, críticos, programáticos (desde textos de poética a manifestos e a textos pertencentes à tradição da filologia e da linguística histórica), funcionando o romantismo e o modernismo como os pontos de referência de um percurso que não se esgotará contudo neles. O tema desdobra-se com facilidade noutros temas, também eles a tratar no curso: a relação da literatura brasileira com a literatura portuguesa, a transferência da questão colonial para o idioma, a (re)descoberta e reinvenção do Brasil, por via (também) idiomática, a substituição do conflito entre idiomas (ou versões do idioma) pelo conflito entre língua falada e língua escrita, a forma como línguas, literaturas e culturas produzem o seu Outro, recalcando dissídios internos, em função da produção de um antagonista externo.

Para o programa serão fundamentais as obras que ao assunto dedicou Edith Pimentel Pinto, com destaque para a sua antologia, em dois volumes, O português do Brasil. Textos críticos e teóricos (São Paulo, Edusp, 1978 e 1981). Será distribuído ainda um conjunto de textos literários que funcionarão como corpus de leitura do problema em causa.

Objetivos

1)   Reconhecer a complexidade histórica, teórica e política da questão da “língua materna” e da sua relação com a língua literária na literatura brasileira;

2)   Perceber a que ponto o diagrama da relação da literatura brasileira com a literatura portuguesa reflete, ou não, a representação que ela produz da questão da língua materna;

3)   Reconhecer, na língua literária brasileira, uma série de conflitos de longa duração – entre dialetismo e vernaculismo, por exemplo – mas também de formas de superação desses conflitos por reinvenção idiomática (o caso maior de Guimarães Rosa, mas também o do idioma neologista de Haroldo de Campos).

Conteúdos

1)   O debate sobre a questão da língua no romantismo: o português, o tupi e a questão do indianismo em José de Alencar e Gonçalves Dias

2)   Machado de Assis: “instinto de nacionalidade” e a língua da literatura brasileira

3)   O debate modernista e a performatividade das posições de Mário de Andrade: a Gramatiquinha da fala brasileira, o Macunaíma.

4)   A crítica dos escritores de 30 ao radicalismo linguístico e literário de Oswald e Mário de Andrade

5)   A língua de Guimarães Rosa e o seu impacto nas literaturas em português

6)   A questão da língua, do concretismo ao tropicalismo e depois.


LITERATURA BRASILEIRA (2º semestre)
Docente: Cristina Mello

Programa (2016-2017):

A unidade curricular de Literatura Brasileira define-se como uma disciplina de história literária. Isto significa que esta unidade elege, de entre a longa duração da história da literatura brasileira, um período mais ou menos breve para efeito de apresentação dessa literatura. Caberá ao docente justificar anualmente o período que elege para lecionação, trate-se das origens coloniais, do século XIX ou dos séculos XX e XXI.

A Unidade Curricular “Literatura Brasileira”, oferecida em 2015-2016, detém-se no estudo de três períodos literários: o realismo e sua aproximação ao naturalismo, o parnasianismo e o simbolismo. Cada período será objeto de um conspecto histórico, com atenção particular aos autores mais representativos e à análise de textos literários fundamentais, recorrendo-se também a textos de doutrina estética e de crítica literária.

Os estudantes deverão fazer uma leitura crítica dos romances Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro, de Machado de Assis, e O Cortiço de Aluísio de Azevedo, bem como de textos poéticos ilustrativos da poesia parnasiana e simbolista (através de uma antologia disponibilizada na plataforma Nónio).


2º ciclo, Mestrado em Literatura de Língua Portuguesa: Investigação e Ensino:

LITERATURA BRASILEIRA (2º semestre)
Docente: Osvaldo Manuel Silvestre

Programa (2016-2017):

O curso será dedicado à obra de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), com especial incidência na sua poesia mas sem descurar a prosa. Em pauta estará a situação histórico-literária do poeta, entre o Modernismo e o que veio depois, a diversidade interna da obra e os grandes momentos e modelos da sua leitura crítica.

Objetivos:

1) Conhecer a obra de Carlos Drummond de Andrade na sua extensão e variedade.
2) Compreender a razão da centralidade da sua obra na literatura brasileira do século XX.
3) Perceber o lugar de Drummond no Modernismo brasileiro de 1922 e os problemas colocados pela evolução da sua obra à sua definição canónica como “autor modernista”.
4) Conhecer e discutir os principais paradigmas da leitura crítica de Drummond.

Conteúdos:

1) Drummond e o Modernismo de 1922: as origens «mineiras», a relação com Mário de Andrade, os poemas emblemáticos da nova estética.
2) A evolução de Drummond e as aporias do Modernismo: de Alguma Poesia (1930) a Claro Enigma (1951); de Lição de Coisas (1962) a Boitempo (1968, 1973, 1979); os livros finais.
3) Poesia, poema e livro em Drummond.
4) O lugar da prosa na sua obra.
5) A evolução do discurso crítico sobre Drummond.


3º ciclo, Doutoramento em Literatura de Língua Portuguesa:

TÓPICOS DE PESQUISA EM LITERATURA BRASILEIRA (2º semestre)
Docente: Osvaldo Manuel Silvestre

Programa (2016-2017):

O programa abordará alguns exemplos da prosa brasileira pós-Guimarães Rosa e pós-Clarice Lispector, tomando-se estes dois autores como referências maiores da prosa brasileira do século XX. As obras a tratar representarão algumas das orientações mais ricas da prosa brasileira do período: 1) contracultura e marginalidade; 2) corpo e obscenidade; 3) realismo e brutalismo; 4) experimentalismo e metaliteratura; 5) o poema/prosa; 6) o testemunho.

O programa explorará um espectro alargado de géneros literários, do conto e do romance ao texto de imprensa, ao poema em prosa, ao depoimento e a géneros híbridos. Esta diversidade e riqueza de géneros será um dos pontos centrais da reflexão propiciada pelo programa do seminário sobre um período da literatura brasileira que vai da segunda metade dos anos 60 aos anos 90 do século XX.

Objetivos

1)   Reconhecer a variedade e riqueza do panorama da prosa brasileira pós-Rosa e pós-Clarice;

2)   Questionar as representações dominantes sobre a “crise” da literatura brasileira contemporânea, neste caso na prosa;

3)   Refletir sobre a forma como a prosa brasileira do período em causa aborda o seu tempo, literário e histórico, dos temas às estratégias, à questionação dos géneros literários dominantes e da própria noção de literatura.

Programa

1)   Contracultura e marginalidade: José Agrippino de Paula (Lugar Público, 1965, e PanAmérica, 1967), Torquato Neto (Geléia Geral), Jorge Mautner (Vigarista Jorge, 1965).

2)   Corpo e obscenidade: Hilda Hilst (A Obscena Senhora D, 1982, e O caderno Rosa de Lori Lamby, 1990)

3)   Realismo e brutalismo: Dalton Trevisan e Rubem Fonseca.

4)   Experimentalismo e metaliteratura: Osman Lins (Avalovara, 1973), Paulo Leminski (Catatau, 1975), Silviano Santiago (Em liberdade, 1981, e Viagem ao México, 1995).

5)   Poema/prosa: Haroldo de Campos (Galáxias, 1984).

6)   Testemunho: Renato Pompeu (Quatro olhos, 1976), Renato Tapajós (Em câmara lenta, 1977).


Além das unidades curriculares que integram a licenciatura em Português, a FLUC assegura ainda uma disciplina de História do Brasil:

1º ciclo, Licenciatura em História:

HISTÓRIA DO BRASIL (1º semestre)

A disciplina, com uma história longa na FLUC, é assegurada por docentes da Secção de História do Departamento de História, Estudos Europeus, Arqueologia e Artes. O seu programa pode ser visitado aqui.


Courses

Historically, the IEB has defined its remit around Brazilian literature and Brazilian culture. For that same reason, its library is especially abounding in titles about that field, which also coincides with the curricular units taught under the Brazilian Studies such as they are set up nowadays by on the Portuguese Section of the Department of Languages, Literatures and Cultures.


At present, the curricular units that remain under the Portuguese Section of the DLLC are the following:

1st cycle, degree in Portuguese:

CRITICAL PROBLEMS IN BRAZILIAN LITERATURE (Autumn Semester)

BRAZILIAN LITERATURE (Spring Semester)

2nd cycle, Master Program in Portuguese-Speaking Literature: Teaching and Research:

BRAZILIAN LITERATURE (Autumn Semester)

3rd cycle, Doctorate Program in Portuguese-Speaking Literature:

RESEARCH TOPICS IN BRAZILIAN LITERATURE (Autumn Semester)


Besides the courses that belong to the graduate program in Portuguese, the FLUC also provides a course in Brazilian History:

1st cycle, Degree in History:

HISTORY OF BRAZIL (Autumn Semester)

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