Brasília

Editada pelo Instituto de Estudos Brasileiros da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, entre 1942 e 1968 (13 volumes, com periodicidade irregular), a revista BRASÍLIA será em breve digitalizada pela Imprensa da Universidade de Coimbra, sendo de prever que a revista, mais os seus suplementos (um total de cerca de 30 volumes), estará online no ano de 2017.

Capa Brasilia

O grupo de Estudos Brasileiros em Portugal propõe-se reativar o título, que se chamará BRASÍLIA. Nova Série. A revista terá periodicidade semestral, ficará alojada na plataforma da Imprensa da Universidade de Coimbra, e será dirigida por Abel Barros Baptista, da Universidade Nova de Lisboa, e Osvaldo Manuel Silvestre, da Universidade de Coimbra. A sua Comissão Científica incluirá especialistas portugueses, além de brasileiros e de outros países. A revista funcionará em regime de Avaliação por Pares e terá como objectivo ser indexada a breve prazo nos índices de referência nos Estudos Brasileiros e nas Humanidades. A revista usará como línguas de trabalho o português e o inglês.

A BRASÍLIA. Nova Série será lançada já com o estabelecimento prévio dos Call for Papers dos 2 primeiros números. A saber:

Vol. 1, n. 1 (Janeiro de 2017): O conceito de literatura brasileira [Call for Papers por Osvaldo Manuel Silvestre]

Vol. 1, n. 2 (Julho de 2017): Um mapeamento da literatura brasileira contemporânea [Call for Papers por Roberto Vecchi]


CALL FOR PAPERS do Vol. 1, n. 1:

“O conceito de literatura brasileira”

Título de um breve livro de Afrânio Coutinho, de 1960, o entendimento do «conceito de literatura brasileira» permanece pleno de consequências para a história e a crítica da literatura brasileira. Recorde-se que, nesse livro, Coutinho atacava sobretudo as posições de Antonio Candido na Formação da Literatura Brasileira, pondo em causa a facilidade com que este «alijava» toda a literatura do período colonial, como se ela não fosse relevante para o seu conceito de literatura brasileira. Não aceitando a periodização tradicional que qualifica essa literatura como «colonial», Coutinho reivindicava, contudo, o direito a anexá-la, por inteiro, à História da Literatura Brasileira, que sem esses primórdios ficaria mais pobre. O argumento conjuga o formalismo – não há literatura «colonial» mas sim «barroca», por exemplo – com o nacionalismo, que Coutinho manifesta ter dificuldade em reconhecer em Candido. Este, por seu turno, parece mais preocupado em reconhecer um «sistema literário» a operar já adulto no Brasil do que em reivindicar origens ou primícias – «manifestações literárias» – cujo único mérito seria o de exprimirem uma nacionalidade proto-brasileira. Mas a forma como relega para o exterior do seu construto a relação com a literatura portuguesa (ao contrário de Coutinho, que faz dessa relação o seu drama teórico e político), evidencia a que ponto a Formação da Literatura Brasileira se insere ainda numa lógica de afirmação nacional.

Entre as várias versões do nacionalismo literário brasileiro e a possibilidade de uma perspetiva cosmopolita, trata-se de saber, no limite, se necessitamos mesmo de um conceito de literatura brasileira e o que se joga na hipertrofia (teórica e política) dessa necessidade.

Temário:

  • A formação da literatura brasileira: perspetivas concorrentes.
  • Perspetiva nacional versus perspetiva cosmopolita.
  • A literatura brasileira como literatura pós-colonial: da antropofagia às teorias da «transculturação».
  • Os estudos literários brasileiros e a universidade.
  • História literária e Teoria literária na Formação da Literatura Brasileira.

Prazos

A data final para apresentação de propostas de artigos para o Vol. 1, n. 1, da BRASÍLIA. Nova Série, é 30 de Outubro de 2016.  O site da revista na plataforma OJS será em breve anunciado. Até lá, qualquer esclarecimento sobre matérias relacionadas com o nº 1 da nova série da revista pode ser obtido através do endereço eletrónico do IEB: ieb.fluc@gmail.com


Brasília

Published by the Institute for Brazilian Studies of the University of Coimbra’s Faculty of Arts between 1942 and 1968 (in which it printed 13 irregularly-issued volumes), the BRASÍLIA journal will be digitised in the near future by the University of Coimbra Press. It is highly likely that the volumes, plus its addenda (totalling about 30 volumes), will be available online in 2017.

The group Brazilian Studies in Portugal has set itself the task of reviving the journal, which will be named BRASÍLIA. New Series. It will be a bi-annual publication and will be hosted by the online platform of the University of Coimbra Press. Its chief editors will be Abel Barros Baptista (New University of Lisbon, Portugal) and Osvaldo Manuel Silvestre (University of Coimbra, Portugal). Its scientific committee will include renowned scholars from Portugal, Brazil and other countries. The journal will secure peer-reviewed assessment. One of the main goals is that the publication should be indexed in the short run to reference indexes of Brazilian Studies and Humanities. Work languages will be Portuguese and English.

BRASÍLIA. New Series will be issued along with a previous settling of the Calls for Papers for its first two volumes. Namely:

Vol. 1, number 1 (January 2017): The concept of Brazilian Literature [Call for Papers by Osvaldo Manuel Silvestre]

Vol. 1, number 2 (July 2017): A mapping of contemporary Brazilian literature [Call for Papers by Roberto Vecchi]


CALL FOR PAPERS, Vol. 1, number 1:

“The concept of Brazilian literature”

Title of a 1960 short book by Afrânio Coutinho, the understanding of the «concept of Brazilian literature» remains full of consequences to the history and criticism of Brazilian literature. We must bear in mind that, in that book, Coutinho was primarily arguing against the positions António Candido expressed in his Formation of Brazilian Literature. In particular, Peixoto resented Candido’s ease in brushing aside all the literature stemming from the colonial days, as if it was irrelevant to his concept of Brazilian literature. Disavowing the traditional accruals that qualified that period’s literature as «colonial», Coutinho nevertheless claimed the right to annex it, in its entirety, to the History of Brazilian Literature. According to him, that History would be far poorer if stripped of that primordial period. The argument combines both formalism – for instance, «colonial» is replaced by «baroque» literature – and nationalism – which Coutinho argues to be hard to find in Candido. The latter, on his turn, seems more concerned in recognizing a «literary system», operating in Brazil in a sort of mature form; rather than tracing origins or primeval moments – «literary manifestations» – of which the sole merit would be that of expressing a proto-Brazilian sense of nationality. But the way by which he positions the relationship to the Portuguese literature outside of his system (unlike Coutinho, who builds his theoretical and political drama upon it), tells us a great deal about how Formation of the Brazilian Literature still emerges from a logic of affirming a national identity.

Between the various versions of Brazilian literary nationalism and the possibility of a cosmopolitan point of view, the question is to ultimately understand if we really need a concept of Brazilian literature and what is at stake in the theoretical and political hypertrophy of that necessity.

Themes:

. The formation of Brazilian literature: competing perspectives.

. National vs cosmopolitan perspectives.

. Brazilian literature as post-colonial: from antropophagy to «trans-culturation» theories.

. Brazilian literary studies and the university.

. Literary History and Literary Theory in the Formation of Brazilian Literature.


Deadline

The deadline for the submission of articles’ proposals for BRASÍLIA. New Series, Vol. 1, Number 1, is October 30, 2016. The Journal’s page at OJS will be announced shortly. Until then, any further clarifications on subjects related to the new series’ Number 1 can be addressed to the IEB’s e-mail at ieb.fluc@gmail.com.

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